Este projeto localiza-se nos arredores da área metropolitana de São Paulo, num terreno de 2.568 m² densamente arborizado, e foi uma oportunidade de pensar a casa como um abrigo para o homem em meio à natureza.
Imaginamos essa casa — um volume de 13 x 29 x 5,55 metros, suspenso 35 cm do solo — aberto para a mata na qual está inserido. O volume é construído com estrutura metálica. Os fechamentos internos são feitos de drywall.
O fechamento externo do volume, por sua vez, acabou se transformando na grande questão do projeto, uma vez que deveria proporcionar toda a integração desejada e, ao mesmo tempo, funcionar como mediador com a mata.
A solução foi criar um sistema de fechamento constituído por duas camadas sobrepostas. A primeira pele — a exterior — é feita com policarbonato com janelas camarão, que possibilita a iluminação da casa e ajuda na regulação térmica dos espaços internos; a segunda pele é constituída por um sistema de fechamento em vidro com janelas de correr, cujos suportes e perfis de fixação são leves.
O volume interno está inserido dentro de uma cobertura com sete metros de altura e dezessete por dez metros de base, uma telha metálica termoacústica construída com estrutura metálica.
A construção desse abrigo, como se vê, pressupõe a utilização de componentes industrializados, que permitem uma montagem rápida e precisa. Além dessa espécie de depuração construtiva, nosso desejo foi criar um volume cuja materialidade — dada especialmente pela pele dupla — permitisse diferentes leituras da inserção da casa na natureza, em função das suas características tanto miméticas quanto de reação às variações climáticas. Assim, dependendo da luz incidente e da posição relativa do observador, da casa e da mata, teríamos a arquitetura se afirmando ora como uma caixa de luz, ora como objeto opaco, ora como volume translúcido, ora como um camaleão engolido pela natureza.