Escolas Resilientes do Rio Grande do SulEm junho de 2024, fomos convidados pelo Instituto Unibanco–uma ONG que atua na melhoria da educação pública – para participar do processo de reconstrução do estado doRio Grande do Sul, no contexto dos desastres ocorridos entre o final de abril e o início de maio de 2024.
Foram grandes enchentes sucessivas, que governo estadual classificou como “a maior catástrofe climática” da história do estado.Com o objetivo de contribuir para a reconstrução de um estado, comprometido com a mitigação dos impactos ambientais e com a resiliência de escolas e comunidades, o desenvolvimento desta proposta abriu a oportunidade de repensar o papel da escola pública no contexto contemporâneo do estado como um todo.
Foram definidos dois produtos a serem desenvolvidos: Um conjunto de Diretrizes de Construção (estratégias) replicáveis e adaptáveis; Um Projeto Básico de uma escola modelo (protótipo). A partir da adoção de uma metodologia colaborativa, o projeto se consolidou com base nagestão da inteligência coletiva, comprometido com a ampla participação e escuta ativa de todos os atores envolvidos. Essa abordagem inclusiva priorizou, ao longo de todo o processo de concepção, a viabilidade social, ambiental e financeira.
Esta proposta abria ainda uma oportunidade para repensar o próprio papel das escolas públicas no contexto contemporâneo do Estado como um todo. O conjunto das escolas constitui uma ampla rede de equipamentos públicos, com grande capilaridade territorial e social, ofertando apoio e acolhimento, cujas atribuições podem ir além do serviço de ensino.Assim compreendemos as escolas como equipamentos comunitários multifuncionais, oferecendo oportunidades para a prática de esportes, eventos e apoio para diversas atividades comunitárias, contribuindo para a promoção de melhorias no bem-estar e na coesão social.
Outro ponto importante para esta proposta é o papel das escolas em situações de emergência. São equipamentos públicos, bem distribuídos no território, que podem, rapidamente, ser transformados em abrigos ou centros de distribuição durante desastres naturais, oferecendo um recurso essencial para a resiliência da comunidade. Assim, o modelo proposto aqui busca otimizar as atividades cotidianas das escolas, ao mesmo tempo em que visa qualificá-las para que possam assumir seu papel de protagonista nas situações de emergência.
O resultado deste trabalho se materializou em um guia que consiste em um conjunto de diretrizes para transformação e construção das edificações escolares: Guia para elaboração de projetos de arquitetura para a criação de Escolas Resilientes, localizadas em áreas de risco hídrico, no Estado do RS, que será disponibilizado a todos envolvidos nas futuras reformas, adaptações e construções de escolas publicas no estado.